Primavera Sombria

Primavera das Sombras

Ele não procurava o amor, mas o destino surpreendeu.

Não veio em forma de promessa,
veio como presságio.
Um silêncio que pesava no olhar,
uma presença fria que insistia em ficar
mesmo quando a razão gritava para fugir.

Ele caminhava fechado, como um mausoléu antigo,
paredes rachadas por memórias,
janelas seladas pelo medo de sentir.
Amar era um risco —
e ele já sangrara demais.

Mas o destino não bate à porta.
Ele invade.
Arrasta correntes, apaga certezas,
acende velas em corredores esquecidos
onde só habitavam sombras.

E quando ele percebeu,
já não estava só.
O amor não foi escolhido,
foi invocado —
como uma flor negra brotando
no coração do inverno.

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