Desabafo
Às vezes me pego pensando, à luz fraca de pensamentos que não dormem:
será que as pessoas realmente não sentem o peso de perder um amor —
ou apenas fingem não sentir, até que a noite cobre tudo?
Há perdas que não sangram no início.
Elas caminham em silêncio, se escondem na rotina, aguardam o momento exato para se revelar.
E quando o fazem, não gritam — sussurram.
Um sussurro constante, frio, impossível de ignorar.
Talvez um dia essa pessoa se sente sozinha, cercada por sombras que não respondem.
Talvez perceba que perdeu mais do que alguém:
perdeu um lar, um refúgio, uma presença que atravessaria os anos como uma vela acesa na escuridão.
O arrependimento, nesse ponto, não vem para salvar.
Vem apenas para assombrar.
Como um espectro que lembra, noite após noite,
que certos amores não foram feitos para voltar —
apenas para pesar na consciência até o fim.


0 Comentários