Ela não acredita mais no Amor 💘
Ela não acreditava mais em amor. Não como antes. Antes esperava mensagens de boa noite, ligações demoradas, planos pro futuro. Agora só esperava que não doesse. Que ninguém a usasse. Que ninguém a fizesse sentir especial só pra desaparecer depois.
Ela cansou. Cansou de se entregar inteira e receber migalhas. De ser intensa em um mundo que trata sentimento como passatempo. De explicar o que sentia pra pessoas que só queriam distração temporária. Então trocou esperança por proteção. E, em silêncio, começou a repetir pra si mesma que já não esperava um final feliz… apenas torcia para que o próximo fim não fosse tão triste.
Ela observava o mundo ao redor e tudo parecia vazio demais. Pessoas com inúmeras opções, mas incapazes de escolher alguém de verdade. Gente que se aproximava rápido, prometia o universo e sumia assim que o sentimento ficava profundo. Amar parecia um risco ridículo.
Mesmo assim, no fundo, ela sabia: desistir não curava ninguém. Só adiava. O coração dela não havia parado de sentir, apenas aprendera a bater mais baixo. Em silêncio, ainda desejava ser escolhida. Ainda sonhava com alguém que ficasse. E odiava admitir isso.
Com o tempo, entendeu que talvez o amor não tivesse acabado. Talvez apenas tivesse mudado de lugar. Não vivia mais nas promessas exageradas nem nos discursos bonitos. Estava escondido nas pequenas coisas. Num olhar calmo. Em conversas sem pressa. Em alguém capaz de permanecer quando ela mostrasse suas partes quebradas.
Ela acreditava que amor era sorte porque foi isso que ensinaram a ela. Mas começou a perceber que amor era encontro. E encontros exigiam coragem. Exigiam continuar caminhando mesmo depois de tantas decepções. Exigiam não fechar completamente a porta só porque alguém entrou errado antes.
Ela tinha medo de acreditar de novo. Medo de criar expectativas. Medo de reviver antigas dores. Mas havia uma verdade impossível de negar: ela sobreviveu a tudo que jurou destruí-la. Sobreviveu às despedidas, aos silêncios, às ausências. E isso significava que ainda existia espaço dentro dela para algo bonito acontecer.
Talvez o tal “final feliz” nunca tenha existido como nos contos de fadas. Talvez a vida não devesse fogos de artifício, mas paz. Uma paz tranquila, silenciosa, encontrada em alguém que escolhesse ficar todos os dias sem precisar prometer eternidade.
E foi então que ela percebeu: quando tudo parece descartável, quem permanece se torna raro. Quase um milagre.
E milagres não chegam gritando.
Eles sussurram.


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