A liturgia do Esquecimento
No fim, até a saudade se curva ao silêncio dos dias.
A dor, que antes gritava como um espírito preso, aprende a sussurrar… até desaparecer. A vontade de correr atrás se desfaz como névoa ao amanhecer, e aquela obsessão — de vigiar sombras digitais, de esperar por mensagens que nunca chegam — apodrece lentamente dentro do peito, como uma flor esquecida em um túmulo.
Porque o tempo… ah, o tempo não cura.
Ele corrói.
Ele arranca, pedaço por pedaço, as memórias que doem, deixando para trás apenas fragmentos distorcidos — risos que ecoam como vozes em corredores vazios, momentos felizes que parecem sonhos de uma vida que já não existe mais.
E o ódio?
O ódio é um veneno doce.
Mas não o carregue. Não permita que ele faça morada em você, como um demônio que se alimenta da sua ruína. Deixe esse fardo para aqueles que já perderam a luz, para aqueles que preferem provocar lágrimas ao invés de sorrisos. Eles já estão condenados o suficiente.
Você… não.
Mantenha sua consciência limpa, como um altar intocado.
Mantenha seu coração leve, mesmo que ele ainda sangre em segredo.
Porque alguém virá.
E quando vier… não poderá encontrar ruínas.
Não entregue pedaços quebrados, nem histórias mal enterradas. Deixe o tempo cavar essas covas. Deixe sua mente esquecer os nomes, deixe seu coração apagar os rostos. Permita-se morrer por dentro — apenas o suficiente para renascer.
E então, ame de novo.
Sem medo.
Sem correntes.
Sem fantasmas.
Nem todos carregam escuridão. Nem todos vêm para ferir. Ainda existem almas que vagam pela noite buscando apenas um pouco de luz… e talvez, você seja essa luz.
Não a apague.
Acredite, mesmo quando tudo parecer morto.
Acredite que ainda há beleza no caos, que ainda há verdade em meio às mentiras.
E quando o amanhã chegar — porque ele sempre chega —
receba-o como um ritual de renascimento.
Uma nova chance.
Uma nova vida.
Um novo você.
Então… recomece.


0 Comentários