A Elegância Sombria de Deixar Ir
Nem sempre se fica com quem se ama. O amor, sozinho, é chama bonita — mas não aquece castelos inteiros.
Faltou tempo, sobrou medo. Fantasmas do passado sussurraram entre nós, corvos recolheram expectativas que nunca se alinharam, e eu — tola sacerdotisa do diálogo — tentei salvar o que já sangrava enquanto o outro erguia muralhas de aço.
Não houve vilões nesta história, apenas feridas expostas à noite fria. E quando duas almas se cortam tentando não ferir, a maturidade tem gosto amargo: soltar a mão mesmo sentindo o peito afundar.
Porque amar também é deixar ir — e aprender a caminhar sozinha entre ruínas, sem perder a delicadeza de quem ainda acredita no que sente.
Sou uma lady. Mas não aquela que aparece em salões iluminados ou que sorri apenas por educação. Sou uma lady que caminha por entre sombras, onde os sussurros se tornam companheiros e a noite é meu refúgio.
Sou obscura. Controversa. Rebelde. Estranha, talvez. Mas ainda assim, sou uma dama — de modo próprio, de modo inteiro.
Adoro o silêncio que fala mais que palavras, o vento que arrepia a pele e a sensação de que o mundo inteiro tenta me entender… sem nunca conseguir.
Em meus vestidos escuros, meus pensamentos são labirintos. Nos meus olhos, há segredos que brilham apenas sob a luz da lua. E no meu coração, uma rebeldia silenciosa que recusa ser domada.
Porque ser gótica não é apenas vestir preto ou admirar o melancólico… é sentir a beleza no obscuro, é dançar com a sombra sem medo, é ser eu… inteira, intensa, estranha e soberana.
Se, ao caminhar, seus pés parecem flutuar sobre o chão, se um arrepio percorre sua espinha como eletricidade silenciosa, se o peito bate em um ritmo que ameaça romper seu próprio corpo e uma bruma quente e inquietante se enrosca em suas entranhas…
não tema.
Não é uma maldição antiga, nem a sombra de um presságio sombrio.
É apenas o sinal mais traiçoeiro e sublime que existe: você está se rendendo ao amor.
E o amor, minha cara, sempre chega como um visitante invisível — assombrando, consumindo, desarrumando tudo que você pensava saber sobre si mesmo.